➤ A VERDADE SOBRE O QUE É “INTERNET DESCENTRALIZADA” — E POR QUE ELA PREOCUPA TANTO GIGANTES DA TECNOLOGIA
hoje em dia, quase tudo que você faz na internet passa por três ou quatro empresas americanas? seu e-mail, suas fotos, suas conversas no zap, até aquela pesquisa rápida sobre “como cozinhar feijão sem espumar” — tudo isso vai direto pra um servidor gigante, controlado por alguém que você nunca viu na vida, em algum lugar do estado da virgínia ou da califórnia. e aí você me diz: mas e daí? o que tem de errado nisso? parece prático, rápido, até seguro… né? calma. vamos com calma. porque tem uma mudança silenciosa acontecendo bem debaixo do seu nariz. algo que pode parecer técnico demais no começo, mas que, em poucos anos, vai definir se você continua sendo só um usuário… ou se vira dono da sua própria presença digital. essa mudança tem um nome: internet descentralizada.
imagina, por um segundo, que a internet fosse uma cidade. hoje, ela é como são paulo nos horários de pico: três ou quatro avenidas principais controlam todo o trânsito. quem decide se o carro passa? quem cobra pedágio? quem bloqueia a rua se quiser? exatamente. são as big techs — google, meta, microsoft, amazon — que fazem as regras. agora, imagine uma cidade diferente: ruas menores, interligadas, sem um único prefeito, sem um único semáforo central. cada bairro cuida do seu próprio abastecimento, cada prédio gera sua própria energia, cada pessoa pode abrir uma loja, um blog, um serviço… sem pedir licença. é isso que a internet descentralizada propõe. não é só uma nova tecnologia. é um novo jeito de existir online.
mas por que, então, o google cancelou um projeto interno sobre descentralização em 2024? por que a meta comprou uma startup de web3 e, seis meses depois, demitiu todos os fundadores? por que o apple evita até falar a palavra “blockchain” em keynote? será que é só medo de perder dinheiro? ou será que tem algo mais profundo — algo que mexe com o próprio conceito de poder digital? você acha mesmo que empresas que lucram bilhões com anúncios personalizados, com rastreamento de comportamento, com a venda implícita de atenção humana… vão abrir mão disso de boa? ou será que estão apenas esperando o momento certo pra controlar a descentralização também? afinal, até a resistência pode ser comprada. até a revolução pode vir com um plano premium.
a internet que usamos hoje — chamada de web2 — nasceu nos anos 90 e explodiu nos 2000. ela trouxe redes sociais, apps, streaming, tudo muito bonito. mas ela também trouxe um modelo de negócios invisível: você não é cliente. você é o produto. suas horas de tela viram dados. seus cliques viram perfis. sua indignação vira engajamento. e engajamento vira grana. muita grana. em 2023, só o google faturou mais de 280 bilhões de dólares com publicidade. isso dá mais que o pib de mais da metade dos países do mundo. agora me diz: com esse nível de dependência, qual empresa vai querer que você saia do jardim murado dela e plante seu próprio pomar?
por isso, quando alguém fala em “internet descentralizada”, o que tá por trás não é só criptomoeda, não é só nft bizarro de macaco pixelado. é uma ideia muito mais antiga — tão antiga quanto a própria internet. sim, porque a internet original, lá nos anos 70, era descentralizada por design. os protocolos tcp/ip, o dns, o smtp — tudo foi feito pra rodar em qualquer máquina, sem dono único. o e-mail, por exemplo, ainda é descentralizado: você pode ter um e-mail no gmail, outro no proton, outro no seu próprio domínio, e todos conversam entre si. nenhum deles precisa da permissão do outro. então por que o resto da internet virou um shopping fechado?
a resposta está no “custo da conveniência”. foi mais fácil deixar o facebook guardar suas fotos do que montar seu próprio servidor. foi mais rápido usar o youtube do que hospedar um vídeo em um site próprio. foi mais prático deixar o google indexar tudo do que aprender a configurar um motor de busca local. e aí, sem perceber, a gente entregou a chave da casa. e não só a chave — entregou também o mapa, o alarme, o histórico de quem entrou e saiu, e até o que a gente comeu no almoço, baseado no stories que curtiu. mas e se desse pra ter conveniência sem entregar tudo? é aí que entram os protocolos novos — como ipfs, activitypub, nostr, solana, e até o próprio bitcoin como camada de confiança.
ipfs, por exemplo, significa interplanetary file system. soa de ficção científica, mas é bem real. em vez de um arquivo ficar num único servidor do google drive, ele é fatiado, criptografado e espalhado por centenas — ou milhares — de computadores no mundo todo. cada pedaço tem um endereço único, e só quem tem a chave consegue remontar o original. ou seja: não existe “servidor caído”. não existe “remoção por violação de diretrizes”. o conteúdo fica lá enquanto alguém no mundo ainda quiser mantê-lo vivo. já pensou numa notícia que o poder quer apagar… mas que fica imortal, porque milhares de pessoas decidiram guardar um pedacinho dela no próprio celular?
e tem o activitypub — o protocolo por trás do mastodon, do pixelfed, do peertube. ele é como o smtp do e-mail, mas pra redes sociais. isso quer dizer que, em teoria, você pode ter seu perfil no masto.br, seguir alguém no francês mstdn.fr, comentar num vídeo do peertube.net, e tudo isso funcionar como se fosse uma única rede — sem empresa no meio. não tem feed manipulado por algoritmo. não tem anúncio invasivo. não tem shadowban silencioso. só você, sua comunidade, e o protocolo aberto que liga tudo. por isso que o elon musk, depois de comprar o twitter, tentou implementar activitypub duas vezes… e desistiu. será que foi por dificuldade técnica? ou porque descentralizar o x é como soltar um leão na jaula?
agora olha essa: em 2025, uma startup brasileira chamada nexus labs, de são paulo, lançou um navegador chamado freeway. ele não usa dns tradicional. em vez disso, traduz nomes de sites usando o protocolo ens (ethereum name service) — ou seja, você digita “meusite.eth” e ele resolve direto na blockchain, sem passar pela icann, sem depender de registradores como go daddy ou registro.br. e o mais louco? o navegador roda num raspberry pi de 70 reais. ou seja: qualquer pessoa pode montar um “nó” da internet descentralizada em casa, com energia solar e um pendrive. é quase como ter uma antena comunitária… mas pra dados.
você já parou pra pensar quantas vezes apagou uma foto, um post, um vídeo… só porque achou que podia ser mal interpretado daqui a cinco anos? e se, em vez de apagar, você pudesse só retirar o acesso? é o que chamam de revogação de permissão. na web descentralizada, quando você posta algo, você define não só quem vê, mas por quanto tempo, e sob quais condições. quer que seu currículo fique disponível só pra recrutadores com certificado verificado? dá. quer que seu diário pessoal suma automaticamente se você ficar 30 dias sem acessar? dá. quer que seu podcast seja ouvido só por quem contribui com 5 reais por mês — direto pro seu wallet, sem intermediário? também dá. isso não é futurologia. isso já existe. só não é mainstream… ainda.
mas calma. não é tudo maravilha. a internet descentralizada tem seus monstros. primeiro: usabilidade. configurar uma carteira cripto, gerenciar chaves privadas, entender o que é um gas fee… pra maioria das pessoas, é como pedir pra trocar o óleo do carro sem nunca ter visto um motor. segundo: escala. hoje, o ethereum processa cerca de 30 transações por segundo. o visa, 24 mil. ou seja, ainda não dá pra comprar um pastel na feira com cripto sem travar tudo. terceiro: regulação. governos não entendem — e têm medo — de sistemas onde não dá pra mandar um ofício e derrubar um site em 24h. e isso gera pressão. muito disso já aconteceu na china, na rússia, até na índia. mas aqui no brasil? por enquanto, é terra de ninguém. e terra de ninguém é onde as coisas novas nascem.
em 2024, o ministério da ciência, tecnologia e inovações lançou o projeto rede.br, uma iniciativa modesta, mas simbólica: montar uma rede de servidores universitários rodando protocolos descentralizados, começando com ipfs e activitypub. a usp, a unicamp e a ufba já têm nós ativos. o objetivo não é substituir a internet atual — é criar uma “segunda camada”, uma espécie de plano b nacional. imagine: um professor de história grava uma aula sobre ditadura militar, hospeda no ipfs, e distribui o link “hash” pros alunos. mesmo que o vídeo seja removido do youtube por “violação de diretrizes”, ele continua acessível por qualquer nó da rede.br. é resistência digital com cara de projeto de extensão.
e tem o lado humano — o que ninguém fala direito. na internet centralizada, você é um perfil. na descentralizada, você é uma identidade soberana. isso quer dizer que seus dados não ficam em silos separados (gmail aqui, instagram ali, linkedin acolá). eles ficam com você, numa carteira digital — e você decide onde, quando e como usa. quer se cadastrar num site novo? em vez de criar senha e confirmar e-mail, você só autoriza com um clique… e o site recebe só o que precisa: “sim, essa pessoa tem mais de 18 anos” — sem saber seu nome, seu cpf, seu endereço. é como mostrar a carteira de motorista pra provar idade, sem entregar o documento inteiro. isso se chama prova de conhecimento zero. e é uma das armas mais fortes contra vazamento de dados.
você já ouviu falar em solid? é um projeto do tim berners-lee — sim, o cara que inventou a world wide web — lançado em 2019. a ideia é radicalmente simples: separar dados de aplicativos. hoje, o instagram é os dados e é o app. no solid, os dados ficam num “pod” (personal online datastore), que pode ser seu, de um amigo, de uma cooperativa. e aí, vários apps diferentes podem acessar o mesmo pod — uns com mais permissão, outros com menos. quer um feed mais calmo? usa o app tranquilo. quer descobrir eventos locais? usa o app vizinhança. tudo lendo do mesmo lugar. e se um app fizer besteira? você só revoga o acesso. não precisa deletar conta, não precisa migrar tudo. é como trocar de chave, sem mudar de casa.
mas por que as gigantes da tecnologia tão preocupadas, então? vamos direto ao ponto: descentralização ameaça três pilares do império digital. primeiro: o monopólio de atenção. sem feeds controlados, sem algoritmos que prendem você por horas, o tempo de tela cai. e tempo de tela é receita. segundo: o monopólio de dados. sem bancos de dados centralizados, não dá pra treinar ia gigantesca com bilhões de comportamentos reais. e ia treinada é vantagem competitiva. terceiro: o monopólio de infraestrutura. se todo mundo pode rodar seu próprio servidor, seu próprio nó, seu próprio dns… qual a necessidade de aws, de google cloud, de azure? o que parece pequeno hoje — um masto aqui, um ipfs ali — pode virar um tsunami em 2027. e os relatórios internos da meta já chamam isso de scenario black sun: o dia em que a audiência simplesmente… some.
olha só esse dado curioso: em 2025, mais de 400 cidades no mundo já usam blockchains públicas pra registro de atos civis — casamento, nascimento, propriedade. na geórgia, desde 2018, escrituras de imóveis são registradas na blockchain. no brasil, o cartório de tatuí (sp) fez um piloto em 2024 com certidões digitais imutáveis. e o mais interessante? não são blockchains de bitcoin, nem de ethereum. são redes híbridas, fechadas, mas com nós descentralizados entre cartórios. ou seja: descentralização não é tudo ou nada. é um espectro. e o brasil tá começando pelo meio — com aplicações práticas, que resolvem problemas reais, sem fanatismo ideológico.
e os jovens? ah, os jovens já tão lá. enquanto a gente ainda discute se nft “vale alguma coisa”, os adolescentes usam lens protocol pra construir reputação digital. cada like, cada comentário, cada criação vira um token com histórico público. quer mostrar que é bom de design? seu portfólio não é um site — é uma coleção verificável de contribuições em projetos open source. quer provar que lidera comunidade? seus “badges” de moderação são tokens não-fungíveis, transferíveis, com data e hora imutáveis. é currículo vivo. é reputação portátil. e o melhor: não depende do linkedin aprovar seu perfil. você é seu próprio linkedin. e seu próprio banco. e seu próprio provedor de nuvem.
claro que tem armadilhas. muita gente confunde “descentralizado” com “anárquico”. não é. descentralização não significa ausência de regras — significa que as regras são acordadas pela comunidade, não impostas por um ceo. em muitos protocolos, decisões são tomadas por governança on-chain: você vota com seus tokens. quanto mais você contribui, mais peso seu voto tem. é como cooperativa digital. mas tem risco de plutocracia — os mais ricos dominarem. por isso, novos modelos surgem: quadratic voting, conviction voting, soulbound tokens (tokens não negociáveis, ligados à identidade). tudo em teste. tudo evoluindo. tudo… humano.
você acha justo que uma empresa decida, sozinha, o que é “discurso de ódio”? ou que remova um vídeo de denúncia ambiental porque “viola diretrizes de monetização”? na internet atual, isso acontece todos os dias — sem recurso real, sem transparência. já na descentralizada, muitas redes usam moderação federada: cada nó (servidor) define suas próprias regras. um nó pode ser rigoroso, outro mais aberto. e você escolhe onde hospedar seu perfil. quer um espaço 100% livre? entra no nó livre.fed. quer um mais moderado, pra família? usa o calmo.fed. e se alguém abusar? a comunidade pode banir o nó inteiro — um processo chamado defederation. é como expulsar um condomínio inteiro que não cumpre as normas. pesado? sim. mas democrático? também.
e o que o brasil tem a ver com tudo isso? tudo. somos o quinto país mais conectado do mundo. temos mais de 160 milhões de usuários de internet. e somos campeões em vazamento de dados — em 2024, quase 200 milhões de registros brasileiros foram expostos em brechas. por isso, iniciativas como teia digital, do movimento software livre, e rede livre, da associação de provedores comunitários, estão ganhando força. em assentamentos rurais no pará, em favelas no rio, em vilarejos no sertão, gente comum tá montando redes mesh — wi-fi que se conecta de roteador em roteador, sem depender de vivo ou claro. sem internet móvel, sem contrato. só conexão ponto a ponto. é a internet como ela deveria ter sido: feita por quem usa.
em 2026, a expectativa é que o primeiro smartphone com suporte nativo a protocolos descentralizados chegue ao brasil. não é rumor — é projeto confirmado da xiaomi com a tor project e a foundation for decentralized web. o aparelho vai ter um modo “liberdade”: ativa ipfs, desativa rastreamento de apps, usa dns-over-https com servidores brasileiros, e cria automaticamente um nó leve na rede local. ou seja: seu celular vira parte da infraestrutura. e, se mil pessoas na sua rua fizerem o mesmo, nasce uma intranet comunitária — onde dá pra trocar arquivos, avisos, até criar um marketplace sem taxa. tudo offline, se necessário. imagine uma enchente no rio grande do sul: sem energia, sem 4g… mas os celulares ainda se conectam entre si, e o grupo de whatsapp da rua vira uma rede mesh salva-vidas. é tecnologia com propósito.
mas será que isso vai mesmo substituir o zap, o insta, o youtube? provavelmente não — pelo menos não nos próximos dez anos. o que deve acontecer é uma coexistência. você usa o google pra pesquisar receita de bolo… e usa um nó local pra compartilhar as fotos da festa junina da comunidade. usa o spotify pra ouvir funk… e usa o audius (plataforma descentralizada) pra descobrir o mc da sua quebrada que não tem contrato com gravadora. usa o gmail… mas guarda seus documentos mais sensíveis no textile ou no fleek. é como ter conta no banco e poupança na cx — uma pra conveniência, outra pra segurança.
olha o que o povo tá comentando sobre isso:
maria eduarda santos: “comecei a usar o masto.br semana passada e já me sinto mais dona do meu tempo. sem stories invadindo, sem anúncio de empréstimo no café da manhã. internet descentralizada é mais calma, cara.”
rafael lima: “meu primo montou um nó ipfs na lan house dele, em fortaleza. agora os meninos baixam jogos indie sem gastar dados. o dono não lucra, mas virou referência. é isso que a gente precisa.”
carla ferreira: “internet descentralizada não é moda. é necessidade. depois que meu perfil sumiu do insta sem motivo, jurei que nunca mais deixo tudo num só lugar.”
daniel costa: “fiz um curso técnico em sp e aprendi a instalar um servidor activitypub. custo total: 300 reais. agora minha escola tem rede social própria. os alunos adoram.”
luana rocha: “ninguém fala, mas o maior ganho é psicológico: você para de se sentir observado o tempo todo. é como tirar um casaco pesado que você nem sabia que tava usando.”
pedro henrique: “a galera acha que é coisa de nerd, mas meu tio, agricultor em goiás, usa um app descentralizado pra comparar preço de soja direto com outros produtores. sem atravessador.”
isabela martins: “tô testando um wallet com identidade soberana. agora consigo provar que sou advogada sem mostrar o número da oab. é privacidade com utilidade.”
thiago almeida: “o problema não é a tecnologia — é a educação. precisa ensinar isso nas escolas, tipo educação financeira. senão vira mais um nicho de rico.”
fernanda silva: “internet descentralizada é como cooperativa de crédito: no começo parece complicado, mas quando você entende, não volta mais.”
andré luiz: “se a brasil quiser ser protagonista nisso, tem que investir em protocolos próprios — em português, com real, com legislação clara. senão vira mais um consumidor de solução alheia.”
você já imaginou uma internet onde você não precisa aceitar os termos de uso de ninguém? onde seu voto, sua opinião, seu trabalho… não viram commodities negociáveis? onde o simples ato de compartilhar uma ideia não exige que você se torne mercadoria? talvez a internet descentralizada não seja a resposta definitiva. mas ela é, com certeza, a pergunta mais importante que a humanidade digital está fazendo neste momento. afinal, depois de entregar tanto… será que ainda dá pra pedir nossa casa de volta?
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