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→ MALEMOLÊNCIA: O ENCANTO QUE DANÇA ENTRE MALÍCIA E PREGUIÇA
você já viu alguém entrar numa roda de samba e, sem dizer uma palavra, roubar a cena só com o jeito de andar? com o balanço do quadril, o olhar meio de lado, o sorriso que não se abre por inteiro, mas promete tudo? aquilo não é só gingado. aquilo é malemolência. e não, não é só preguiça. não é só moleza. é muito mais. é uma arte. uma atitude. um jeito brasileiro de estar no mundo — com charme, esperteza, malícia e um toque de rebeldia silenciosa.
mas o que é, de fato, malemolência? se você procurar num dicionário antigo, talvez encontre só “falta de vigor” ou “moleza física”. mas quem viveu um carnaval no rio, um pagode no fundo de quintal em são paulo ou uma roda de jongo no interior do rio de janeiro sabe que malemolência é outra coisa. é quando o corpo fala sem precisar de palavras. é quando a preguiça vira elegância. é quando a malícia se veste de seda e dança devagar, como se tivesse todo o tempo do mundo — porque, na verdade, ela sabe que o tempo é dela.
você já parou pra pensar por que o brasileiro, mesmo cansado, consegue sorrir? por que, mesmo com o bolso vazio, dança como se tivesse ganhado na loteria? por que, mesmo diante da injustiça, responde com ironia em vez de raiva? será que a malemolência não é uma forma de resistência? uma maneira de sobreviver sem se entregar? de manter a dignidade quando tudo ao redor desmorona?
porque a malemolência não é fraqueza. é estratégia. é saber quando avançar e quando recuar. é fingir que não viu, mas viu tudo. é deixar o outro falar primeiro, só pra entender o jogo. é usar o charme pra desarmar quem quer te dominar. quantas vezes você já usou um “ah, deixa pra lá” pra evitar uma briga que não valia a pena? quantas vezes deu um sorriso torto pra disfarçar a dor? quantas vezes fez de conta que estava mole, mas estava só esperando o momento certo?
e no samba, então? lá, a malemolência vira poesia. vira movimento. vira filosofia. o malandro não corre. ele desliza. não grita. sussurra. não exige. sugere. e é por isso que ele encanta. porque não força. porque sabe que o desejo nasce na ausência, não na presença. que o mistério atrai mais que a exposição. que menos, às vezes, é muito mais.
pense na música da céu — “malemolência”. aquela voz suave, quase um sussurro, cantando sobre um flerte que não se concretiza, mas nem precisa. porque o jogo em si já é prazer. já é conquista. já é amor. não é sobre chegar. é sobre dançar em torno. é sobre manter a chama acesa sem queimar ninguém. será que a gente esqueceu essa sabedoria? será que hoje em dia tudo tem que ser direto, rápido, explícito? será que perdemos o gosto pelo jogo sutil?
e o dynho alves, na sua versão mais moderna, usa a malemolência pra falar de empoderamento. de mulher que dança não pra agradar, mas pra se sentir viva. que usa o corpo como território de liberdade. que balança o quadril não porque quer ser vista, mas porque gosta de sentir o próprio ritmo. será que a malemolência também pode ser um ato político? um grito silencioso de “esse corpo é meu”?
mas atenção: malemolência não é preguiça pura. não é ficar deitado esperando a vida acontecer. é escolher com cuidado onde gastar energia. é saber que nem toda batalha vale a pena. é preservar a alma num mundo que quer te esgotar. quantas vezes você já ouviu “você é muito mole” quando, na verdade, só estava escolhendo suas lutas? será que a sociedade confunde calma com fraqueza? elegância com passividade?
e no amor? ah, no amor a malemolência é mestra. porque quem corre demais, espanta. quem dá tudo de uma vez, perde o encanto. quem não deixa espaço pro outro imaginar, mata o desejo. a malemolência sabe disso. por isso, ela chega devagar. olha nos olhos, mas desvia. toca de leve, mas não insiste. deixa o outro querer mais. será que o segredo de um relacionamento duradouro não está justamente nisso — manter um pouco de mistério, um pouco de jogo, um pouco de malemolência?
mas será que ainda existe espaço pra isso hoje? num mundo de mensagens instantâneas, stories de 24 horas, relacionamentos que começam e terminam em uma semana? será que a gente perdeu a paciência pra dançar em torno do que deseja? será que trocamos o charme pela praticidade, o flerte pelo “vamos direto ao ponto”?
e se a malemolência for a cura pra essa ansiedade coletiva? se, em vez de correr atrás de tudo ao mesmo tempo, a gente aprendesse a esperar? a observar? a deixar o tempo trabalhar a nosso favor? será que não seríamos mais felizes se aceitássemos que nem tudo precisa ser resolvido agora? que às vezes, o melhor a fazer é… não fazer nada?
porque a malemolência também é isso: saber o valor do silêncio. do vazio. do intervalo entre as notas. da pausa entre as palavras. do olhar que dura um segundo a mais. é entender que a vida não é uma corrida, mas um samba — e no samba, quem manda é o ritmo, não a pressa.
você já notou como os velhos malandros do morro sempre parecem tranquilos, mesmo na crise? como eles riem das tragédias com um gole de cachaça e um verso de samba-enredo? será que eles sabem algo que a gente esqueceu? que a verdadeira força não está em agir o tempo todo, mas em saber quando parar? quando fingir que não viu? quando deixar o vento levar?
e se a malemolência for, no fundo, uma forma de sabedoria popular? uma filosofia brasileira disfarçada de moleza? uma maneira de viver com leveza num país pesado? será que ela é a chave pra não enlouquecer diante do caos?
porque no brasil, a gente aprende cedo que o sistema não funciona. que a justiça é lenta. que o trabalho honesto nem sempre dá resultado. então, o que resta? desistir? ou inventar um jeito próprio de viver? e foi assim que nasceu o malandro — não como um vagabundo, mas como um sobrevivente. e a malemolência é a sua arma mais poderosa: invisível, silenciosa, mas letal.
mas cuidado: não confunda malemolência com maldade. ela não quer machucar. só quer se proteger. não quer enganar. só quer escolher seu caminho. é como o rio que, diante da pedra, não quebra — contorna. com graça. com paciência. com tempo.
e você? tem um pouco de malemolência dentro de você? ou está sempre correndo, se explicando, se justificando, se esforçando demais? será que não está na hora de soltar um pouco? de deixar o corpo balançar? de confiar que, às vezes, o melhor movimento é nenhum?
porque a vida não é uma prova de velocidade. é um samba. e no samba, quem dança com malemolência… nunca sai do compasso.
e você? já parou pra sentir o seu próprio gingado — aquele jeito único de estar no mundo, entre malícia e moleza, entre força e suavidade?
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